segunda-feira, 4 de maio de 2015

Impregnado




Minha casa cheira amores e saudades
Me distraio pintando as unhas de preto,
Fechando a porta do corredor,
Na tentativa de o cheiro não me atingir
De não me contagiar!

Então, pouco tempo depois
As unhas ainda secando,
A porta ainda fechada,
Mas o cheiro chegou até aqui
Está por toda sala, por toda casa

Abro as janelas
Repouso por instantes na varanda
Inspiro buscando outros ares,
Nada adianta!
Amores e saudades impregnam, até na pele.

Procuro minhas chaves.
Saio e tranco a porta:
Se aqui nada faz o cheiro passar
Na rua ele não vai me encontrar.

Estou então pelas ruas do bairro,
Sem rumo, sem impregnação
Sem amores, sem saudades!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Vão




Bom dia sem café, sem sol, sem pele coberta
Noite passada, música, vinho e chão
Boca amarga e teto breu

Tudo cintila e eu toco o chão
Me movo enquanto meu braço ainda dorme
Dez segundos ali sentada
Encarando o fim da lista de reprodução

Ausência de tom e presença
Imersão na solidão
Mais de quinze minutos no vão da sala

Sem direção
Sem inspiração
Sem obrigação
Sem reflexo

domingo, 4 de maio de 2014

Listen to Your Heart


Estava aqui, quieta nessa noite de domingo
Quase frio, mas bem aconchegante
Ouvindo Roxette e Marie me pedindo pra Ouvir Meu Coração
Então foi que eu parei pra ouvir meu coração
E nada aconteceu... Nenhuma resposta
Nenhum sussurro!

Pois foi ai que eu percebi uma coisa
Não tenho nada mesmo a ser ouvido
Dúvidas, anseios, conflitos
Parece um quebra cabeças bem encaixado

Não sei dizer o quão bom, ou ruim possa ser isso
Às vezes parece um vazio inconsolável
Outras vezes, uma paz incalculável
Então vão-se passando os dias
Sem que eu possa entender
O que meu coração tem pra dizer

sábado, 12 de abril de 2014




Eu sei... sinto que ainda mexo com você.
E que a distância parece ser,
Enfim, a única cura.

Por vezes também a usei para me proteger
Para alimentar a alma com um pouco de paz.
Mas confesso que por mais vezes, falhei.

Mas quando, ao mesmo tempo
Decidimos nos afastar - sem acertos ou despedidas
Eu vi o fim, de fato!

Eu sinto sua falta, não há como negar!
Eu sinto falto do que eu poderia ter me tornado
E de uma vida ao seu lado, em qualquer lugar...

Por mais que machuque,
Eu também sei que foi melhor - de alguma forma
Que ainda não enxergo com clareza!

Assim como surgiu
Foi embora
Silencioso, devagar e devastador!



quinta-feira, 9 de maio de 2013

Perder


Também não queria perder nada, nem um instante
Mas parece que o que sei fazer de melhor é perder
O momento, a deixa, a vez, o caminho
Às vezes sinto tanta raiva de mim por isso
Outras vezes, nem me importo tanto
Sempre supero, sempre dou o próximo passo rumo ao futuro
Mas e quando eu me canso de superar?
E quando eu quero ficar? Quando não quero perder nada?


Embriagados




Num momento embriagado
Fica inevitável não se enganar, se trapacear
Causar a falsa impressão de que é sem pensar
Mas no canto escuro da sala, entre ofegantes beijos
Olhos culpados, dopados e perplexos
Exita-se por um breve espaço de tempo
Que nem se quer vale para redenção
Um sorriso de canto, música alta e...
Então esqueçamos os enganos
E aumentamos nossas doses de solidão!


domingo, 24 de março de 2013

Feito Anjo


E quando a gente é feito anjo
A gente não sabe o tamanho do bem que a gente faz
E ficamos presos tentando ser leves
E não percebemos que leve é tudo ao redor de onde está
E mesmo que esteja tudo desmorando
Basta sua pequena mão estendida lá
Mesmo que não compreenda como, sua presença já é tudo
Quando a gente é feito anjo
A gente esquece de usar as asas e mudar tudo por lá